Como a mídia influência a vida das pessoas

Como a mídia influência a vida das pessoas

Muitas vezes paramos para pensar “Será que a mídia influencia minhas decisões? Não! Imagina! Apenas pessoas sem opinião são influenciadas assim!” Ok, mas e se eu te disser que a mídia formou a opinião que você se gaba de ter e usa para se defender? Como assim?

processo de manipulação da mídia

é muito mais sutil do que as mensagens subliminares, ou a aqueles jingles que não saem da cabeça. A mídia pode ser uma formadora de cultura completa, não vendendo apenas o produto, mas criando um vazio, que assume a forma de um produto, e mostrando o quão importante é preencher o vazio através do consumo.

Quando pensamos em produtos temos a sociedade de consumo e a propaganda. Quando pensamos em cultura e opinião temos a aculturação, ou moldagem de pensamentos.

No caso da aculturação temos a mídia controlando o comportamento, por meio da apresentação de imagens que represente ideais de felicidade, sucesso, beleza e prazer.

Se tal ideal não encontra eco na sociedade, a estratégia muda. É então realizada uma mudança gradual, até chegar ao ponto defendido pela mídia. Nessa modelagem vale tudo: Pesquisas de áreas médicas, opinião de especialistas diversos, o avanço tecnológico e tantos outros argumentos, apenas para te convencer que aquilo que está sendo oferecido é a melhor alternativa.

Um bom exemplo de mídia questionável

refere-se às antigas mídias de cigarro. Na época em que eram veiculadas, incitavam o jovem a fumar, com a idéia de que o cigarro estava ligado à aventura, maturidade e saúde. Nos comerciais exibidos na TV e/ou em mídia impressa, imagens ligadas a esporte e juventude atraiam, principalmente adolescentes, a experimentarem o cigarro.
Após alguns anos, processos se acumularam contra a indústria do tabaco, vindos principalmente de pessoas que contraíram doenças respiratórias, as quais, circunstancialmente eram ligadas ao uso contínuo de cigarro. Em 2000, com a lei 10.167, a propaganda de cigarro foi proibida no Brasil. Segundo José Carlos Mattedi, da Agência Brasil. Pesquisas feitas na época avaliaram o impacto da ausência da propaganda de cigarros entre os jovens da época.

A imprensa

A imprensa exerce um papel que vai além da simples tarefa de informar. Diariamente, seleciona e produz um limitado número de notícias dentre uma infinitude de assuntos disponíveis no cotidiano. O reduzido cardápio é construído e exposto pela mídia como essencial para o interesse e o debate público, e assim se incorpora à agenda de discussões das pessoas, mesmo que não seja prioridade, muitas vezes, para quem o consome. Os recursos, os métodos e as estratégias utilizados para sensibilizar, estabelecer diálogos, fixar mensagens, criar consensos e até modismos foram estudados no jornalismo por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970 – conhecido como Teoria do Agendamento.

Essa teoria defende que o público tende a dar mais importância aos assuntos que têm maior exposição nos meios de comunicação, sugerindo assim que é a mídia quem diz sobre o que iremos falar. Para chegarem a tal conclusão, McCombs e Shaw desenvolveram uma pesquisa na campanha eleitoral dos Estados Unidos de 1968, que comparou os temas mais relevantes pelos eleitores com os mais enfatizados pelos meios de comunicação. Os autores comprovaram que os assuntos mais expostos pela mídia eram muito semelhantes aos temas que os cidadãos consideravam como mais importantes, ou seja, as pessoas têm tendência para incluir ou excluir de seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo.

Quando a mídia escolhe o assunto o qual merece ganhar visibilidade e com que destaque deve aparecer, por outro lado, implica que muitos fatos são ofuscados e até banidos da agenda, além de tantos outros tratados de forma secundária. E por trás dessa posição de favorável/desfavorável e adesão/rejeição, há um grande pano de fundo, definido por Nelson Traquina em dois eixos: o polo econômico (as notícias como negócio) e polo ideológico (as notícias como construção da realidade e como serviço público).

Por conseguinte, a mídia tende a reproduzir a ideologia do sistema dominante, sendo um “contra-poder” ou “poder” a serviço dos interesses e perspectivas das elites políticas, a fim de sustentar determinada visão de mundo. E no campo econômico, o jornalismo como negócio e a notícia como mercadoria, busca-se o apelo para seduzir e, em muitos casos, o sensacionalismo para agarrar o consumidor para o produto notícia.

Todavia, mesmo diante de tantas limitações na cobertura e a sonegação de muitos assuntos do conhecimento público, as notícias apresentadas condicionam e intensificam nossas preocupações com corrupção, violência, política, economia, meio ambiente e terrorismo à proporção que aparecem na imprensa.

Construindo a realidade

Histórias e decisões ocorrem o tempo todo e em tudo que é lugar, independente de qualquer registro ou divulgação. Tal aspecto foi bem definido pelo historiador inglês Keith Jenkins: a maior parte das informações sobre o passado nunca foi registrado, e a que permaneceu é fugaz. Ademais, Jenkins lembra que o passado nos chega como história, e não “realidade”. O passado que conhecemos é sempre condicionado por nossas próprias visões, nosso próprio presente.

Se na história é assim, no jornalismo a realidade e a verdade são bem mais flexíveis à demanda de grupos de pressão – tanto político quanto econômico. Por isso, deve-se estar ciente que muitos acontecimentos só ganham forma e visibilidade no noticiário porque são estratégicos para determinados grupos e classes sociais – graças ao poder de alguém para pô-los e mantê-los ali – e usam esses temas para exercerem o controle sobre outras verdades. Na conclusão de Jenkins, o que está em pauta nunca são os fatos de si por si, mas o peso, a posição, a combinação e a importância que eles trazem com referência uns aos outros na elaboração de explicações.

Quem está no poder controla a história, apropria-se dos fatos e determina a “verdade” para os demais e, se questionado sobre tal “verdade”, muitas vezes se limita a reponde as indagações, nas entrelinhas, soando as palavras de Nietzsche: “Assim quis eu”.

Sendo assim, para não vivermos num vácuo informativo ou simplesmente servirmos de instrumento para a reprodução das demandas da minoria que detém o poder ideológico e econômico, precisamos compreender que as produções midiáticas vêm revestidas por uma série de filtros, tais como método de apuração, conhecimento, limitações estruturais, operacionais – espaço e tempo, ideologia e interpretação, e esses recursos são mobilizados na construção das notícias em prol das estratégias de comunicação das empresas jornalísticas.

Com base nesse panorama, as mídias suscitam, salientam, rejeitam e menosprezam fatos para comporem a grade informativa diária, com a qual pretendem obter a nossa atenção e ganhar, em consequência, a repercussão e a agenda pública.

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Post Author: Lucas